Família de britânica morta na Ucrânia vive em limbo sem certificado de óbito
- Beatriz S. Nascimento
- há 5 dias
- 2 min de leitura

Annie Lewis Marffy, de 69 anos, uma voluntária britânica, terá sido morta num ataque com drone russo enquanto prestava ajuda humanitária na Ucrânia. A família da mulher, natural de Silverton, perto de Exeter, Devon, permanece sem um certificado de óbito meses após a sua morte, deixando-os numa situação de incerteza e impedindo que possam iniciar formalmente o processo de inventário.
Marffy chegou à Ucrânia no dia 4 de junho com um Toyota Rav4 carregado de bens essenciais, numa missão organizada pela ONG Aid Ukraine UK. No entanto, não chegou a encontrar os coordenadores locais conforme planeado. Após uma semana de buscas, a organização foi contactada pela polícia do distrito de Kramatorsk, que informou que Annie terá falecido entre os dias 11 e 12 de junho, vítima de um ataque com drone russo na região do Donbas, numa zona de conflito ativo. Segundo o relatório policial, sofreu “ferimentos incompatíveis com a vida” depois de estacionar o veículo numa rua daquela área.
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Dificuldades para recuperar o corpo e obter certidão
A área onde o corpo se encontra ainda é palco de combates, o que torna impossível a recuperação dos restos mortais. A família tem solicitado às autoridades ucranianas e ao Foreign, Commonwealth and Development Office (FCDO) do Reino Unido a emissão de um certificado de óbito baseado no relatório policial, mas até ao momento não obteve resposta, situação que tem gerado grande sofrimento.
Charlie Lewis Marffy, filho da vítima, afirmou à BBC que a família não procura culpados, mas deseja apenas poder despedir-se adequadamente e avançar com os procedimentos legais. “Ela era corajosa, capaz e determinada, mas nunca quisemos que partisse. Estava entusiasmada e feliz por estar a fazer algo significativo”, afirmou. Acrescentou que, apesar da tristeza pela perda, sente orgulho pela mãe que teve.
Katarzyna Bylok, fundadora da Aid Ukraine, explicou à agência PA que o processo para obter o certificado pode demorar meses ou até anos, devido ao perigo da zona onde os restos se encontram. “Num local de combate, onde os seus restos mortais estão, é impossível recuperá-los porque quem quer que seja enviado também poderá morrer”, lamentou.
B.N.
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