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Comércio do West End sofre perdas recorde com fim do IVA livre para turistas


A imagem mostra a Bond Street em Londres, Inglaterra, decorada com bandeiras do Reino Unido, também conhecidas como Union Jack.
Comércio do West End sofre perdas recorde com fim do IVA livre para turistas © PA Wire

Empresários alertam para impacto económico e perda de competitividade face a capitais europeias.


O comércio da zona do West End, em Londres, registou perdas sem precedentes no primeiro semestre de 2025, com prejuízos estimados em 310 milhões de libras devido à chamada “taxa sobre turistas”, criada após o fim do regime de compras isentas de IVA para visitantes estrangeiros. O valor representa um aumento de 40% face aos 220 milhões perdidos no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela New West End Company (NWEC), entidade que representa cerca de 600 empresas da área.


Desde 2023, o custo total em vendas para o West End ronda os 1,4 mil milhões de libras, de acordo com a análise da NWEC, que abrange retalhistas, hotéis e restaurantes de zonas emblemáticas como Bond Street, Oxford Street, Regent Street e Mayfair.


Empresas em alerta: investimento e emprego em risco

Dee Corsi, diretora executiva da NWEC, sublinha que os custos acrescidos estão a "aumentar a pressão" sobre os negócios locais, levando muitos a reconsiderar decisões de investimento e a reavaliar os níveis de pessoal. Cerca de três quartos das empresas inquiridas afirmaram estar a rever os seus quadros de trabalhadores, e metade admite repensar os investimentos no Reino Unido.


Mais de 80% dos empresários disseram que a eliminação do reembolso do IVA teve um impacto negativo direto no desempenho comercial. Além disso, 90% reportaram uma diminuição no número de turistas internacionais e no seu nível de consumo, enquanto 96% acreditam que os visitantes estrangeiros estão a optar por cidades europeias como Paris ou Milão para as suas compras.


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Impacto económico e pressão para mudança política

O fim do regime que permitia aos turistas estrangeiros reaver 20% de IVA em compras foi amplamente criticado por retalhistas e aeroportos britânicos, sendo descrito como um “ato de auto-sabotagem económica”. A pressão do setor levou a ministra da Cultura, Lisa Nandy, a admitir, em março, que o governo poderia reconsiderar a medida.


Contudo, com cortes previstos no orçamento para a Segurança Social, é incerto se haverá vontade política para restaurar o que pode ser visto como um benefício fiscal para turistas endinheirados. A ministra das Finanças, Rachel Reeves, é apontada como estando a avaliar essa possibilidade.


Dados recentes da Association of International Retail (AIR) revelam uma mudança no comportamento dos consumidores britânicos, que agora gastam significativamente mais em compras livres de impostos na União Europeia: 742 milhões de libras em 2024, comparando com 147 milhões em 2021. A AIR estima que a reintrodução do reembolso do IVA aos turistas estrangeiros poderia impulsionar a economia britânica em 3,7 mil milhões de libras.


A tendência mantém-se em 2025, com um crescimento de 16% nas primeiras 22 semanas do ano, alimentado por previsões optimistas para os gastos de turistas internacionais, que deverão atingir 2,1 biliões de dólares em 2025.


Dee Corsi reforça que o regime de compras livres de IVA representa uma “oportunidade rara e de baixo custo para o governo apoiar o crescimento económico do Reino Unido a curto prazo”.


O Tesouro britânico, por seu lado, recorda que os visitantes ainda podem solicitar isenção de IVA caso os produtos sejam enviados diretamente para os seus países de origem como exportações.


M.S.


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