CEO usava ONG como fachada para fraude em imigração
- Monica Stahelin
- há 13 horas
- 2 min de leitura

A investigação revela falhas graves na liderança da OBAC e desqualificação de dirigentes.
Ibukun Olashore, antiga diretora-executiva da Organização de Africanos e Caribenhos Cegos (OBAC), foi considerada culpada de utilizar a instituição de caridade como fachada para atividades ilegais de imigração, revelou um relatório oficial da Comissão de Caridade do Reino Unido.
Apesar de ter sido condenada por conspiração para facilitar a violação da lei de imigração do país e por posse de documentos de identidade com intenção fraudulenta, Olashore manteve-se no cargo, com o conhecimento dos quatro administradores da organização. A sentença foi proferida em 2022, um ano após a sua acusação formal.
Durante o julgamento, o tribunal concluiu que a OBAC foi instrumentalizada pela acusada como um meio de encobrir práticas fraudulentas e atrair potenciais vítimas a quem pudesse extorquir dinheiro. A juíza responsável afirmou que a instituição foi usada como "uma fachada" para mascarar atividades desonestas.
Falta de ação por parte dos administradores
A investigação revelou que os administradores da OBAC não tomaram qualquer medida após a condenação da CEO. Não houve suspensão da dirigente, nem foi conduzida qualquer investigação interna. Esta inação colocou a instituição em risco de ser associada criminalmente, agravada pelo facto de continuarem a oferecer serviços de aconselhamento em imigração, mesmo após o indeferimento do pedido de registo junto da Autoridade de Aconselhamento em Imigração, em julho de 2022.
O relatório aponta ainda para uma supervisão deficiente por parte da administração, que não tinha conhecimento dos termos do arrendamento dos escritórios, entretanto subarrendados. Foram também ignorados vários incidentes graves, incluindo a condenação da CEO, uma invasão às instalações e ameaças dirigidas a membros da equipa por parte de um beneficiário.
Publicidade
Consequências legais e encerramento da organização
Perante estas conclusões, a Comissão de Caridade determinou a desqualificação dos quatro administradores mais recentes: Ruth Bishop, Diib Jama e Rasheed Bello foram impedidos de exercer funções em instituições de caridade durante cinco anos, enquanto Dwight Watson foi desqualificado por três anos. Já Ibukun Olashore foi desqualificada de forma indefinida.
A OBAC foi removida do registo público de instituições de caridade e dissolvida pela Companies House.
Amy Spiller, responsável pelas investigações da Comissão de Caridade, declarou: “Esperamos que quem dirige uma instituição de caridade o faça com honestidade e integridade. Utilizar uma organização com fins solidários como cobertura para atividades criminosas é absolutamente inaceitável. Ao permitirem a continuação destes atos, os administradores traíram a confiança que neles foi depositada e falharam no cumprimento dos seus deveres legais.”
Spiller acrescentou que a Comissão continuará a agir com firmeza sempre que uma instituição for mal utilizada, de forma a proteger o sector e prevenir danos futuros.
M.S.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal da Globe News
Comentários