Montenegro rejeita cortes nas verbas para combate aos incêndios
- Monica Stahelin
- há 1 dia
- 3 min de leitura

Luís Montenegro declarou esta quarta-feira, no encerramento do debate de urgência dedicado ao combate aos incêndios, que é “falso e injusto” afirmar que foram retiradas verbas destinadas a esta área crucial. O líder do Governo da Aliança Democrática (AD) aproveitou para criticar o Partido Socialista (PS), que atualmente governa, por agora se queixar da situação, quando esteve no poder durante oito anos consecutivos, incluindo a legislatura anterior.
Durante a sua intervenção, Montenegro sublinhou que as acusações de cortes orçamentais no combate aos incêndios não correspondem à verdade e considerou que este tipo de críticas prejudica o esforço coletivo para enfrentar um problema que afeta o país. “O mais estranho é que quem teve nas mãos o poder de execução se queixe agora”, afirmou, numa clara alusão ao PS, que na abertura do debate havia reafirmado que o Governo “esteve sempre ao lado” e apelado à Oposição para convergir numa solução conjunta.
Reprogramação de fundos e reforço do investimento
Luís Montenegro esclareceu que, apesar de ter ocorrido uma redistribuição dos fundos comunitários, especialmente no contexto do Plano Estratégico para a Política Agrícola Comum (PEPAC), o Governo conta com outros mecanismos financeiros, como o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para assegurar o financiamento necessário. Segundo o primeiro-ministro, os recursos destinados ao combate aos incêndios aumentaram cerca de 50% face ao período anterior, contrariando a ideia de que as verbas teriam sido reduzidas.
O líder do Governo da AD destacou que a reprogramação de fundos é uma prática habitual na administração pública e que o fundamental é o efeito conseguido, ou seja, o fortalecimento das capacidades para prevenir e combater os incêndios, que têm aumentado em frequência e intensidade devido às mudanças climáticas.
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Além disso, Montenegro destacou que, no final do Conselho de Ministros anterior, foram aprovadas 45 medidas concretas para reforçar a proteção das florestas e o combate aos fogos, assim como um plano estratégico para as florestas até 2050. Estas iniciativas visam não só responder às necessidades imediatas, mas também promover a sustentabilidade a longo prazo, com ações estruturantes que envolvem a prevenção, a sensibilização e a recuperação das áreas afetadas.
Postura do Governo e resposta às críticas
Luís Montenegro reconheceu que a perceção pública sobre o envolvimento do Governo no combate aos incêndios pode não ter sido tão clara como seria desejável. Admitiu que esta situação “possa ter contribuído para uma perceção injusta” de menor empenho por parte do Executivo. “Não nos furtamos a dar explicações sobre aquilo que fizemos”, afirmou, garantindo transparência e disponibilidade para prestar contas.
Sobre a sua postura durante os incêndios, Montenegro esclareceu que não vestiu o colete da Proteção Civil para se deslocar aos locais onde as chamas deflagravam, explicando que esta decisão foi tomada para não interferir com o trabalho operacional dos profissionais no terreno. Esta atitude respeita a estratégia adotada, que privilegia a coordenação técnica e a proteção das pessoas e património.
“Não vestir o colete não significa que estivéssemos a leste”, afirmou, sublinhando que seguiu as recomendações dos especialistas, especialmente após as grandes tragédias de 2017, quando a gestão das crises foi reavaliada para melhorar a eficiência e a eficácia da resposta.
Ao longo do debate, Montenegro manteve uma postura firme em defesa das políticas implementadas pelo Governo, apelando ao entendimento e colaboração entre forças políticas para enfrentar o desafio dos incêndios que afetam Portugal com crescente severidade.
M.S.
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