Justiça italiana mantém Carla Zambelli presa por risco de fuga
- Monica Stahelin
- há 13 horas
- 2 min de leitura

A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) continuará detida em regime fechado na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma. A decisão foi tomada pela Corte de Apelação da capital italiana, que rejeitou o pedido da defesa por liberdade provisória ou prisão domiciliária, no âmbito do processo de extradição ao Brasil.
Zambelli foi presa a 29 de julho, após entrar em território italiano a 5 de junho, um dia após a sua condenação definitiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Justiça italiana considerou haver "fortes indícios" de risco de fuga e mencionou, entre outros factores, a falta de confiança expressa pela deputada em relação ao sistema judiciário brasileiro.
Condição de saúde não impede detenção
A decisão da Corte baseou-se também em três audiências com a parlamentar e na análise de um laudo médico elaborado por uma perita do tribunal, Edy Febi. A especialista afirmou que, apesar da complexidade clínica do quadro apresentado por Zambelli, a sua permanência em prisão não representa risco à saúde. O relatório, com 19 páginas, aponta que os tratamentos necessários podem ser realizados dentro do estabelecimento prisional e que uma eventual transferência aérea ao Brasil seria viável, desde que observadas as recomendações médicas.
A deputada, segundo o documento, apresenta distúrbio depressivo e dificuldades de sono, mas mantém-se lúcida e cooperativa. A perícia também registou que não houve comportamentos autolesivos desde o início da detenção.

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Defesa promete recorrer
O advogado italiano Pieremilio Sammarco anunciou que irá recorrer da decisão à mais alta instância da Justiça local. Segundo ele, a acusação de que Zambelli dispõe de recursos e apoio familiar para escapar da extradição não procede. “A Corte afirma que ela e o marido têm as contas bloqueadas, mas usa isso como argumento para o risco de fuga. Consideramos essa interpretação incorreta”, declarou o advogado.
A defesa também apresentou um laudo próprio, elaborado por peritos contratados, que descreve a existência de “adoecimentos psiquiátricos e neurológicos graves”, reforçando a necessidade de cuidados médicos contínuos. No entanto, esse documento não foi suficiente para alterar a avaliação das autoridades italianas.
Zambelli aguarda a tramitação do pedido de extradição, que, segundo especialistas, pode demorar até um ano. A deputada foi condenada a dez anos de prisão no Brasil por envolvimento no caso da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão do STF foi unânime.
M.S.
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Que bom que medidas estão sendo tomadas, não vai fugir não Zambelli.