Inspetores presos por facilitar entrada de cocaína nos portos de Portugal
- Monica Stahelin
- 14 de jul.
- 2 min de leitura

Cinco inspetores da Autoridade Tributária (AT) foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ) no passado domingo, no âmbito da operação “Porthos II”, por suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção com cartéis de droga sul-americanos. Os funcionários são acusados de receber subornos milionários em troca de facilitar a entrada de grandes quantidades de cocaína nos portos de Lisboa, Setúbal e Sines.
De acordo com a investigação conduzida pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção, os inspetores terão colaborado com redes internacionais de tráfico de estupefacientes, permitindo a entrada de contentores adulterados sem qualquer fiscalização. As substâncias ilícitas chegavam dissimuladas em produtos alimentares, como lulas, transportadas em contentores marítimos provenientes da América Latina.
Prova filmada levou à prisão dos inspetores
Dois dos cinco detidos foram previamente identificados num vídeo que agora serve como prova determinante para o Ministério Público. A gravação, feita com um telemóvel oculto numa residência em Azeitão, mostra uma reunião entre os inspetores e Luís Mayer, um alegado importador de droga associado a cartéis sul-americanos. Na gravação, Mayer oferece 700 mil euros aos funcionários da AT em troca da entrada sem controlo alfandegário de 1,3 toneladas de cocaína pelo Porto de Lisboa.
Publicidade
A operação original, batizada de “Porthos” e lançada em fevereiro, já havia resultado na detenção de quatro pessoas em flagrante delito e na execução de 32 mandados de busca. Foi na sequência desta investigação inicial que se recolheram elementos suficientes para avançar com as detenções deste domingo.
Portos portugueses na rota da droga internacional
Segundo a PJ, os factos apurados revelam uma estratégia concertada por parte de organizações criminosas internacionais para utilizar os portos portugueses como pontos estratégicos na distribuição de droga pelo continente europeu. Os grupos dissimulavam grandes quantidades de cocaína em mercadorias aparentemente legítimas, contando com o apoio de agentes corruptos infiltrados em posições-chave do sistema alfandegário.
A gravidade dos indícios recolhidos, bem como o risco de fuga, de perturbação do inquérito e de continuação da atividade criminosa, levaram à detenção dos cinco inspetores. A investigação prossegue, estando em causa crimes de corrupção, branqueamento de capitais e tráfico de droga em larga escala.
M.S.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal da Globe News
Comentários